Luz, cor e duas multidões: uma de possibilidades, outra de pessoas que aderiram ao evento.
O Lumina Light Festival (inserido no Spectrum 14|15), em Cascais, é um restrito hino à produção de peças que têm a luz como a sua medula espinal.
Algumas peças de cariz mais tecnológico e outras de cariz mais analógico e experimental, dotam o Lumina Light Fest de uma panóplia de conteúdos que apresentam em si diversas zonas de intervenção artística e, até, cultural.
É importante, desde logo, referir que o Festival é criado para ser apreciado e experimentado pelos transeuntes e, nisso, o resultado é exímio. A população (local e não só), aderiu em grande escala à iniciativa, tendo interagido com todas as peças, até mesmo com aquelas que teriam interatividade reduzida, quanto mais não fosse para dar lugar à tão famosa “selfie”.
Começando uma pequena análise relativamente a alguns dos conteúdos presentes no Festival, é indispensável mencionar a presença de - como já supracitado - diversos campos de abordagem.
No que toca o interesse nativo do desenvolvimento de investigação, crê-se que as peças de Videomapping tomam uma relevância menos patente em prol de objetos de teor experimental que exploram possibilidades primitivas da luz, como podemos ver de seguida:
Water Light Graffiti - Antonio Fourneau
Uma parede de LEDs ativados por sensores de água/ humidade. Leva a que a tela seja a matriz de LEDs e a tinta seja água, apenas. Ao passar um pincel encharcado pela zona onde se encontram os LEDs, estes ativam a sua luminosidade, criando padrões que se assemelham aos pigmentos da tinta ou, aos pixels de um monitor.
As possibilidades imaginam-se infinitas, dentro do suporte. Basta dar largas à imaginação e criar.
Forêt Digitale Et Sonore - Bulb
Esta floresta artificial, colocada em plena praia de Cascais, é constituída por elementos rotativos que se assemelham a árvores, com formas primitivas.
A rotatividade dos elementos, o piscar das luzes dos mesmos e a sua disposição, assim como o som emitido, são fatores convidativos à entrada nesta “floresta”, com fim de explorar as suas possibilidades.
Associado a Forêt Digitale Et Sonore está também o contexto urbano, ou seja, a transposição do conceito florestal para a zona urbana. Crê-se que a adaptação citadina desta obra no local onde se encontra (Cascais) foi bastante feliz, dado que o contexto urbano do local se define muito pela a cultura do mar e, como dito acima, a instalação encontra-se na praia de Cascais, fazendo, assim, essa ponte histórica.
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| Forêt Digitale Et Sonore (1) |
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| Forêt Digitale Et Sonore (2) |
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| Forêt Digitale Et Sonore (3) |
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| Forêt Digitale Et Sonore (4) |
Rays of Light - Tamar Frank
O objeto recria-se de acordo com o ângulo pelo qual é visualizado. A sua beleza tem como base essencialmente esse pormenor.
Tamar Frank aplica o objeto naquele local com o fim de homenagear os factos históricos, visto que foi naquele local que foi instalada a primeira corrente de luz elétrica em Portugal, pela mão do Rei D. Carlos.
Horizontal Interference - Katarzyna Malejka e Jochim Slogckiego
A instalação encontra-se à mercê da natureza. Várias linhas multicor criam uma conexão de elementos naturais (árvores). A palete de cores é unânime, oferecendo a perceção de que a informação transmitida através da conexão dos elementos é idêntica.
As formas que a instalação assume são unica e exclusivamente definidas pelas formas naturais das árvores onde estão fixas.
Daydream V2 - Nonotak
Através de duas projeções em várias camadas de suportes colocadas em sequência, a peça gera confusões de espacialidade, fazendo com que quem a visiona e interpreta perca a noção do espaço da obra, devido, também, às próprias animações inerentes à instalação.
Wave Garden - Paul Friednalder
À vista desarmada, Wave Garden oferece-nos efeitos espirais, dado o movimento centrífugo da sua estrutura. Apontados aos elementos rotativos podemos testemunhar focos luminosos, de diferentes cores, que realçam as cores das cordas que giram em torno do seu eixo vertical e as suas características reveladas pelo movimento e a velocidade de rotação.
A utilização de um câmera fotográfica pode oferecer à instalação um potencial muito forte. Vejamos:
A utilização de diferentes velocidades de obturador (simulado em vídeo), permite retirar dos agentes rotativos variados efeitos visuais, bem como abrir o leque de possibilidades quanto ao que possamos querer realmente construir em termos imagísticos.
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| Wave Garden (1) |
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| Wave Garden (2) |
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| Wave Garden (3) |
Cloud - Caitlind R. C. Brown e Wayne Garrett
Aliado à sua beleza inerente (inerente, também, à beleza das nuvens), Cloud tem consigo um misticismo superior e uma característica peculiar. Cloud junta os participantes num curto raio espacial, faz com que todos tenham o seu olhar direcionado para uma zona superior e, acima de tudo, traz sorrisos às suas faces.
Independentemente dos conceitos por detrás da obra, esta é uma das características mais intrínsecas da mesma: aglomerar sorrisos, olhares ao alto e pequenas multidões com o mesmo fim, o de ativar uma fonte de luz.
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| Cloud (1) |
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| Cloud (2) |
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| Cloud (3) |
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| Cloud (4) |
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| Cloud (5) |
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| Cloud (6) |
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| Cloud (7) |
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| Cloud (8) |
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| Cloud (9) |
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| Cloud (10) |
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| Cloud (11) |
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| Cloud (12) |
De uma forma geral, o Festival Lumina carrega no seu conteúdo um trabalho de luz que pode ser incluído em diversos contextos e fundamentos. A luz torna-se figura central em diferentes formatos de aplicação (instalação, videomapping, iluminação de rua, interação, etc), o que lhe confere uma panóplia de possibilidades imensa, no que toca a sua utilização para criar, comunicar, construir e, até mesmo, desconstruir.
































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