01 outubro, 2014

Festival LUMINA - Cascais

Luz, cor e duas multidões: uma de possibilidades, outra de pessoas que aderiram ao evento.
O Lumina Light Festival (inserido no Spectrum 14|15), em Cascais, é um restrito hino à produção de peças que têm a luz como a sua medula espinal.
Algumas peças de cariz mais tecnológico e outras de cariz mais analógico e experimental, dotam o Lumina Light Fest de uma panóplia de conteúdos que apresentam em si diversas zonas de intervenção artística e, até, cultural.
É importante, desde logo, referir que o Festival é criado para ser apreciado e experimentado pelos transeuntes e, nisso, o resultado é exímio. A população (local e não só), aderiu em grande escala à iniciativa, tendo interagido com todas as peças, até mesmo com aquelas que teriam interatividade reduzida, quanto mais não fosse para dar lugar à tão famosa “selfie”.

Começando uma pequena análise relativamente a alguns dos conteúdos presentes no Festival, é indispensável mencionar a presença de - como já supracitado - diversos campos de abordagem.
No que toca o interesse nativo do desenvolvimento de investigação, crê-se que as peças de Videomapping tomam uma relevância menos patente em prol de objetos de teor experimental que exploram possibilidades primitivas da luz, como podemos ver de seguida:


Water Light Graffiti - Antonio Fourneau

Uma parede de LEDs ativados por sensores de água/ humidade. Leva a que a tela seja a matriz de LEDs e a tinta seja água, apenas. Ao passar um pincel encharcado pela zona onde se encontram os LEDs, estes ativam a sua luminosidade, criando padrões que se assemelham aos pigmentos da tinta ou, aos pixels de um monitor.
As possibilidades imaginam-se infinitas, dentro do suporte. Basta dar largas à imaginação e criar. 

Water Light Graffiti (1)
Water Light Graffiti (2)

Water Light Graffiti (3)

Water Light Graffiti (4)

Water Light Graffiti (5)




Forêt Digitale Et Sonore - Bulb

Esta floresta artificial, colocada em plena praia de Cascais, é constituída por elementos rotativos que se assemelham a árvores, com formas primitivas.
A rotatividade dos elementos, o piscar das luzes dos mesmos e a sua disposição, assim como o som emitido, são fatores convidativos à entrada nesta “floresta”, com fim de explorar as suas possibilidades.
Associado a Forêt Digitale Et Sonore está também o contexto urbano, ou seja, a transposição do conceito florestal para a zona urbana. Crê-se que a adaptação citadina desta obra no local onde se encontra (Cascais) foi bastante feliz, dado que o contexto urbano do local se define muito pela a cultura do mar e, como dito acima, a instalação encontra-se na praia de Cascais, fazendo, assim, essa ponte histórica.

Forêt Digitale Et Sonore (1)

Forêt Digitale Et Sonore (2)

Forêt Digitale Et Sonore (3)


Forêt Digitale Et Sonore (4)




Rays of Light - Tamar Frank

O objeto recria-se de acordo com o ângulo pelo qual é visualizado. A sua beleza tem como base essencialmente esse pormenor. 
Tamar Frank aplica o objeto naquele local com o fim de homenagear os factos históricos, visto que foi naquele local que foi instalada a primeira corrente de luz elétrica em Portugal, pela mão do Rei D. Carlos.




Rays of Light (1)


Rays of Light (2)




Horizontal Interference - Katarzyna Malejka e Jochim Slogckiego

A instalação encontra-se à mercê da natureza. Várias linhas multicor criam uma conexão de elementos naturais (árvores). A palete de cores é unânime, oferecendo a perceção de que a informação transmitida através da conexão dos elementos é idêntica.
As formas que a instalação assume são unica e exclusivamente definidas pelas formas naturais das árvores onde estão fixas.




Horizontal Interference (1)


Horizontal Interference (2)





Daydream V2 - Nonotak


Através de duas projeções em várias camadas de suportes colocadas em sequência, a peça gera confusões de espacialidade, fazendo com que quem a visiona e interpreta perca a noção do espaço da obra, devido, também, às próprias animações inerentes à instalação.




Daydream V2 (1)
Daydream V2 (2)
Daydream V2 (3)

Daydream V2 (4)





Wave Garden - Paul Friednalder

À vista desarmada, Wave Garden oferece-nos efeitos espirais, dado o movimento centrífugo da sua estrutura. Apontados aos elementos rotativos podemos testemunhar focos luminosos, de diferentes cores, que realçam as cores das cordas que giram em torno do seu eixo vertical e as suas características reveladas pelo movimento e a velocidade de rotação.

A utilização de um câmera fotográfica pode oferecer à instalação um potencial muito forte. Vejamos:






A utilização de diferentes velocidades de obturador (simulado em vídeo), permite retirar dos agentes rotativos variados efeitos visuais, bem como abrir o leque de possibilidades quanto ao que possamos querer realmente construir em termos imagísticos. 




Wave Garden (1)




Wave Garden (2)
Wave Garden (3)






























Cloud - Caitlind R. C. Brown e Wayne Garrett


Aliado à sua beleza inerente (inerente, também, à beleza das nuvens), Cloud tem consigo um misticismo superior e uma característica peculiar. Cloud junta os participantes num curto raio espacial, faz com que todos tenham o seu olhar direcionado para uma zona superior e, acima de tudo, traz sorrisos às suas faces.

Independentemente dos conceitos por detrás da obra, esta é uma das características mais intrínsecas da mesma: aglomerar sorrisos, olhares ao alto e pequenas multidões com o mesmo fim, o de ativar uma fonte de luz.

Cloud (1)

Cloud (2)

Cloud (3)

Cloud (4)

Cloud (5)

Cloud (6)


Cloud (7)

Cloud (8)

Cloud (9)

Cloud (10)

Cloud (11)

Cloud (12)



De uma forma geral, o Festival Lumina carrega no seu conteúdo um trabalho de luz que pode ser incluído em diversos contextos e fundamentos. A luz torna-se figura central em diferentes formatos de aplicação (instalação, videomapping, iluminação de rua, interação, etc), o que lhe confere uma panóplia de possibilidades imensa, no que toca a sua utilização para criar, comunicar, construir e, até mesmo, desconstruir.


Sem comentários :

Enviar um comentário